
cala a boca vazia
que sustenta a fala
em demagogia
vê o pranto alheio
derramado à revelia
e descarta-o por escanteio
finja não se tocar
com o olho-anseio
que teima em se rebelar
alça-te em vôo rasante
sê livre e intocado
ao menos por um instante
lembra do silêncio que te dei
dos segredos revelados em calos
no mimo rosado encarnado que doei
e finalmente recorda meu íntimo
que declinou em vã filosofia tua
e diante de ti mais uma vez peço:
cala a boca vazia
que sustenta a fala
em demagogia!